Várzea Virtual

Opiniões amadoras sobre um ramo nada profissional.

11.9.06

Um domingo qualquer.


O que você faria caso não fosse obrigado a votar? Domingo, 1º de Outubro, talvez esteja Sol. Você iria à praia? Passaria o dia deitado ao sofá acompanhando a dança dos famosos enquanto o futuro do seu país estaria sendo decidido? Não importa o que faria, caso o voto não fosse obrigatório, teríamos uma verdadeira revolução na consciência política da população e dos próprios políticos.
Poucas pessoas iriam votar? No princípio sim, mas as modificações nos discursos políticos mudariam a mentalidade de todo o país. Num primeiro pleito sem a obrigatoriedade, poucos iriam exercer seu direito, apenas os que fazem questão disso, que tem consciência e opinião política. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou há cerca de dois anos que 42% dos eleitores votariam mesmo não sendo forçados. Teríamos uma disputa muito mais equilibrada entre os candidatos, com tal novidade. Os eleitores que não se sentem tão animados por dar uma opinião sobre o futuro do país, se sentiriam como se tivessem se livrado de uma tarefa chata. Os mesários teriam alguns bons minutos de sono nas seções eleitorais. Fila? O que é isso?
Todo esse quadro obrigaria os políticos a usarem seus horários eleitorais para mostrar a população porque o voto é importante, qual a diferença ele faz, as funções de cada cargo... O horário político deixaria de ser um programa maçante e teatral para se tornar cultura, aprendizado político e social. Tudo para tentar conquistar os votos de quem não está tão interessado em assuntos eleitoreiros, afinal é muito mais difícil persuadir alguém que acompanha com mais frequência a política nacional. Com tal discurso, nunca mais veríamos Enéas, Malufs ou sujeitos sentados em avestruzes. Não haveria mais espaço para Agnaldos Timóteos ou Ademir D’aguias da vida. Com duas ou três eleições teríamos uma fatia maior da população se interessando por política, com um senso crítico maior e o número de votantes cresceria.
Tornando o voto facultativo, estaríamos tomando decisões por uma fatia da população que, sendo parte pobre ou rica, não se interessa por política? Sim, mas quem estaria fazendo isso não seriam os votantes, mas os não votantes. Quem deixasse de votar estaria abdicando não só do direito ao voto, mas também do direito ao protesto. Mesmo com a não obrigatoriedade, poderíamos votar nulo, demonstrando que queremos ser ativos politicamente, mas não queremos nenhum daqueles candidatos.
Brasileiro não sabe votar? Não diria isso, mas não é dado o devido valor da escolha de cada um de nós. Não sabemos o quão importante é o voto. A população não sabe os trâmites que cada projeto precisa percorrer para serem aprovados. Não se tem um conhecimento de como funciona cada órgão governamental. Isso faz com que haja um conformismo de que nada irá mudar, tirando o valor da escolha eleitoral dos brasileiros.
Um direito, é um direito, não um dever. Nada que é obrigatório é feito com gosto. Temos o direito de escolhermos se queremos escolher. Passar um domingo lavando seu carro, indo ao shopping, assistindo televisão ou mudar o cenário que se vê no caminho para qualquer lugar que se queira ir num outro domingo qualquer?
postado por LEO MORATO.

1 Comments:

  • At 19:43, Blogger Cauã Taborda said…

    Realmente sou a favor do voto facultativo. Concordo com algumas opiniões que você propôs caso o sistema fosse ativo, no entando, hipoteticamente haveria um acréscimo em compra de votos, de publicidade exacerbada em favor de manipulação de massa, voto de cabresto, imagino um político como ACM em uma eleição facultativa "vote ou morra!!". Afinal, no Brasil, sempre devemos esperar pelo pior, para não nos surpreendermos. Contudo, vejo mais pontos positivos que negativos...

     

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